28 de fevereiro de 2010

Igual a Você - Nenhum de Nós






Eu sei que nós dois éramos bons amigos

Você conhecia meus medos escondidos
Eu guardava segredos proibidos
Estávamos ligados, comprometidos

Algumas vezes menti pra te proteger
Você me fez fugir quando o melhor era mesmo correr
Eu fazia vc sorrir na hora exata de chorar
Você me ensinou a pedir quando eu insistia em mandar

Agora você tem novos amigos
Normal que um dia isso fosse acontecer
Só não me faça te odiar
Não me peça para esquecer
Não espere que eu seja igual a você
Igual a você

Algumas vezes menti pra te fazer correr
Você me fez fugir só pra me proteger
Eu fazia você sorrir quando insistia em mandar
Você me ensinou a pedir na hora exata de chorar.

I climb, I slip, I fall.

E aí, quando me sentei ali, lembrei da primeira vez que você veio falar comigo.
Não me lembro muito bem, e também não lembro porque você veio falar comigo.
Você se sentou ao meu lado e começou a falar. Me deixou o número do telefone, caso um dia eu quisesse companhia aqui pra baixo.
Não consigo lembrar quando nos tornamos tão unidos.
Lembro das tardes na tua casa assistindo desenho.
Lembro dias que foi no shopping só pra me ver.
Lembro de um que foi todo molhado de tanta chuva que tinha pego, mas foi.
Lembro que uma vez eu te liguei quase uma hora da manhã e me vai, da ceramica até "ali" na chuva, com uma bicicleta sem freio. E me fez dormir.
Lembro das vezes que ficava puto com algo que eu fazia. Durava 5 minutos ou menos.
Tanta coisa.
Dos filmes juntos, das conversas, das vezes que fui embora sem me despedir e a dor que havia nos teus olhos. Tudo. Lembro do cheiro, da cor, da risada, das formas, de quando dormia, da cara de pastel quando acordava e me via. Agora, não há mais isso. E nas tuas palavras, talvez nunca mais haverá de ter.

Mas me diga, como te esquecer?

27 de fevereiro de 2010







Quando você não esperar vai doer.
E eu sei como vai doer.
E vai passar como passou por mim
E fazer com que se sinta assim
Como eu sinto, como eu vivo, como eu vejo
Como eu não canso de cantar
Eu sei que vai ouvir
Eu sei que vai lembrar
E vai rezar pra esquecer
Vai pedir pra esquecer
Mas eu... eu não vou deixar.

Eu não quero lembrar que chegamos ao nosso fim
Eu não quero lembrar que eu vou acordar
Sabendo que meus olhos não vão te encontrar
Eu não quero lembrar que tudo acabou pra mim.
Vou te esquecer.
Vou te esquecer.
Só pra lembrar.

Milonga ~ Fresno

Exposição.

Eu me exponho aqui. Seja em palavras, seja em música. Por um tempo, me preocupei com o que iriam achar. Com o tempo, eu percebi que eu queria que não importasse quem visse, se as pessoas certas poderiam ter a chance de ler, quem sabe até entender, então valeria a pena.

Isso aqui, as vezes são só coisas que eu gostaria de dizer, e talvez ninguém nunca vá escutar. Isso aqui, são só lembranças de coisas boas que aconteceram e eu quero sempre recordar. Isso aqui são palavras, que eu gostaria que as pessoas direcionadas dessem ouvidos, é tudo o que eu um dia quis dizer, mas alguém, não soube ou não pode escutar. Não existe poesia. Não existe rima. Não existe sentido. Existe meus pensamentos expostos em palavras, existe a minha dor exposto em música, pequenas fotos, talvez a loucura desvairada, a raiva contida, existe textos em homenagem, existe cores quando preciso me dirigir à alguém.

Não existe "lado pessoal". Como canta Los Hermanos, "Numa moldura clara e simples, sou aquilo que se vê". Posso não ser clara, talvez nem simples, mas aqui, sou aquilo que se lê. Sem vergonha, sem vontade de parecer intelectual, sem vontade de fazer tipo, parecer legal ou complicada. Sem vontade de escrever versos, destinar poemas ou parecer amargamente apaixonada, divida pelo amor.

A única coisa que eu quero é tirar da minha cabeça algumas coisas que gritam no meu interior. As vezes é o nome dele que é repetido, as vezes são as imagens de momentos felizes. As vezes é apenas vontade de escrever tudo o que aconteceu num único dia. Sou diversificada, em uma hora sou decidida, em outra sou confusa, em mais três horas sou chorona e frágil, horas mais tarde posso ser louca e ainda assim fazer sentido. Eu só quero escrever tudo o que senti enquanto acordada.

Eu só quero escrever. Porque escrever me ajuda a curar. Mesmo que não agora. Porque escrever me ajuda a lembrar, mesmo que me doa. Escrever me faz ficar, ao menos por palavras, em ordem.